
Dor,ela voltou, ela sempre volta. Não importa eu já estar no
fundo do poço, já não ter muitos amigos, estar com o braço todo cortado e
manchas vermelhas, não gostar de mim, não ter o apoio da família, ter depressão
e não conseguir sair da cama como se tivesse um elefante balofo em cima de mim.
Ainda tenho que ouvir da pessoa que me colocou no mundo, que sou um lixo, que
sou vagabunda por não sair de casa e viver as custas dela. Eu sou uma pessoa
boa, eu sei que sou, só sofro demais, e
tenho incapacidades, e nessas horas cadê todo mundo? Cadê o carinho, cadê o
amor das pessoas? Só me vejo parada imóvel no escuro, é muito escuro aqui dentro.
A cabeça trava o corpo também, exceto a capacidade de se produzir lágrimas.
Vamooos reaja, diz meu corpo, até desistir. Vamos vc consegue. Eu não consigo.
Me corto. Toda a dor vai desaparecendo aos poucos enquanto o vermelho surge. Vermelho
que aos poucos escorre e desaparece pelo ralo, vermelho que para muitos é um
absurdo, vira o melhor remédio, e logo um vício. No maior dos desesperos grito
por socorro, mas parece que minha voz não alcança ninguém, grito de novo, e
você está lá, minha melhor amiga, não sei como você aguenta, não importa
quantas vezes eu esteja sumindo, você vem com palavras confortantes, com
sorriso sincero, toda preocupada, você se importa, você não me deixa cair. Quero estar sempre ao seu lado, e queria
prometer não fazer coisas que te deixarão triste, quero chegar um dia e falar ‘eu
sarei, obrigada por sua ajuda’.
Não desmerecendo todo seu amor, mas as vezes.. não é o suficiente, e muitas
vezes por mais que se esforce a dor não passa. O engraçado é que as vezes
esperamos a preocupação de outras pessoas que gostamos e ela não vem...
Mas fazer o que... é a vida. Não podemos depender das pessoas para conseguir
ser feliz, temos que lutar por nós mesmos, só a própria pessoa conhece sua dor,
eu conheço minha dor, falta-me só força para lutar.
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